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Crédito caro reduz disposição do consumidor a compras

Crédito caro reduz disposição do consumidor a compras O encarecimento do crédito reduziu a predisposição do consumidor às compras, sobretudo o apetite por bens de consumo duráveis, de acordo com dados da pesquisa Intenção de Consumo das Famílias (ICF), divulgada pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC). A avaliação sobre o momento para a compra de duráveis teve deterioração de 6,5% em janeiro em relação a dezembro. Na comparação com janeiro de 2013, a queda foi de 14,1%.

"O indicador mostra que a perspectiva de consumo é moderada, porém favorável. Mas, para os bens duráveis, o momento tende a não ser tão favorável", avaliou o economista da CNC, Bruno Fernandes, lembrando ainda que também desestimulam o consumo de bens duráveis o alto nível de endividamento das famílias e a desvalorização do real frente ao dólar. "A gente tem um novo patamar de câmbio que encarece os bens duráveis".

Os juros mais altos nas linhas de financiamento afetaram também a avaliação das famílias sobre as compras a prazo. Apesar da melhora de 3,6% na passagem de dezembro para janeiro, o item compra a prazo teve piora de 7,3% na comparação com janeiro de 2013. Outro sintoma da insatisfação das famílias com o crédito aparece na pesquisa pelo corte de faixa de renda. As famílias com renda mensal acima de 10 salários mínimos tiveram uma queda na intenção de consumo mais aguda (-5,4%) do que a registrada naquelas com renda de até 10 salários (-2,5%). "O crédito mais caro impacta diretamente mais essa faixa de renda mais alta", apontou Fernandes. No resultado geral, a ICF registrou alta de 1,1% em janeiro ante dezembro, para 131 pontos. Em relação a janeiro de 2013 houve recuo de 3%, motivado tanto pelo encarecimento do crédito quanto pelo alto nível de endividamento e pressões inflacionárias. Por outro lado, a manutenção dos ganhos salariais reais e a taxa de desemprego baixa mantêm o índice num patamar ainda favorável, acima da zona de indiferença (100 pontos). "É um resultado favorável, mas não podemos dizer que vamos voltar a ter taxas de crescimento nas vendas em ritmo chinês. O cenário é de crescimento moderado".

Fonte: DCI