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Serviços devem ter queda no ano e não vão ajudar no crescimento do PIB

Serviços devem ter queda no ano e não vão ajudar no crescimento do PIB Ao contrário de 2014, os serviços não devem impulsionar o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) do País neste ano, pois, para especialistas, a expectativa é de queda ou de estabilidade no setor.

Nem mesmo a possível expansão da agropecuária será capaz de compensar as projeções recessivas para a economia, já que a atividade tem um peso menor no PIB, de 5,6%, enquanto a indústria e os serviços correspondem, respectivamente, a 23,4% e 71% do indicador.

Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), divulgados na última sexta-feira, os serviços tiveram crescimento de 0,7% em 2014, em relação a 2013, a menor alta desde 1996. Dentre as atividades de maior expansão, estão os serviços de informação (4,6%), as atividades imobiliárias (3,3%), transporte, armazenagem e Correios (2,0%). Já a administração, saúde e educação pública cresceram 0,5% e a intermediação financeira e seguros, 0,4%. O comércio atacadista e varejista teve queda de 1,8%.

A indústria, por sua vez, retraiu 1,2%, enquanto a agropecuária avançou 0,4%, na comparação com 2013.

A economista da Tendências Consultoria, Alessandra Ribeiro, estima que os serviços não terão crescimento em 2015, diferentemente do que aconteceu nos últimos anos. "O que está por atrás disso é um mercado de trabalho mais enfraquecido, com expectativa de demissões e de aumento da taxa de desemprego. Isso tem repercussão na renda e, consequentemente, bate no comércio e nos serviços", afirma Ribeiro.

"Outro fator é que o desempenho da indústria deve ser ruim neste ano, o que impacta alguns serviços ligados ao setor, como os de transporte", acrescenta a economista, que projeta queda de 4,6% na indústria. "Porém, vamos recalibrar essas projeções com os dados novos do PIB, divulgados pelo IBGE", diz ela. A previsão da consultoria para o PIB de 2015 é de retração de 1,2%.

O estrategista-chefe do Banco Mizuho, Luciano Rostagno, também avalia que os serviços perderão força neste ano, "com chances de apresentar pequena retração". Rostagno estima que essa queda seja de 0,2% no setor. "O modelo de crescimento pautado no consumo, que foi adotado durante a última a década, atingiu o seu limite. Esse é um ano de ajuste na economia. O mercado de trabalho já está perdendo força e a renda já começa a não crescer acima da inflação. Tudo isso provoca uma menor atividade dos serviços", diz.

De acordo com as projeções do Banco Mizuho, o PIB deve ter queda de 1% e a indústria, retração de 3%.

Empresas

Nas projeções do assessor econômico da Federação do Comércio de São Paulo (FecomercioSP), Vitor França, a economia do País deve ter queda de 0,5%, com considerável impacto dos serviços.

"Nas pesquisas da Fecomercio, observamos que a população está mais cautelosa em seu consumo. Os indicadores de emprego e renda, divulgados na última semana, também mostram uma queda do poder de compra", comenta França.

"Por outro lado, a baixa atividade econômica também deve provocar uma redução na prestação de serviços de empresa para empresa, modalidade que representa 30% da receita apurada do setor, segundo o IBGE. O empresário está receoso em investir e vai diminuir a contratação de serviços, como forma de reduzir os seus gastos", acrescenta.

Além disso, França lembra que o desempenho do setor imobiliário não será mais positivo como no ano passado. "Há uma superoferta de aluguel de imóveis, tanto corporativo, como residencial. Tivemos um boom na construção civil nos últimos anos e hoje temos diversos imóveis prontos e vazios sem gente para morar".

O professor de economia da Universidade de Brasília, Newton Marques, avalia que é o fraco desempenho da indústria que puxa para baixo os indicadores de serviços, e até mesmo da agropecuária, para baixo. "Por mais que ocorra um supercrescimento dos setores primário e terciário, esse seria insuficiente para compensar a grande queda na indústria. Todos os demais setores precisam da indústria para se desenvolver", diz.

Agropecuária

Na agropecuária, as projeções são mais positivas. A Tendências espera crescimento de 1,6% no setor. "Essa alta deve ser puxada pela valorização do dólar ante ao real, que beneficia as exportações, bem como por um aumento da produção de itens importantes na nossa agricultura, como de soja", diz.

Para Rostagno, a agropecuária deve expandir 1,8%. "O setor agrícola brasileiro ganhou muito em competitividade, por conta de sua modernização durante a última década. É um setor que deve continuar a ter uma boa performance", afirma Rostagno.

No que diz respeito ao setor externo, tanto as exportações quanto as importações de bens e serviços tiveram queda, de 1,1% e 1,0%, respectivamente. Entre as exportações, os destaques negativos foram a indústria automotiva, incluindo caminhões e ônibus, e embarcações e estruturas flutuantes. Por outro lado, produtos siderúrgicos, celulose e produtos de madeira apresentaram crescimento. Já nas importações, a queda foi puxada por máquinas e equipamentos e indústria automotiva. Bebidas tiveram crescimento.

Fonte: DCI